quinta-feira, 15 de outubro de 2009

A MÚSICA NA REDE

O assunto é polêmico e pode render anos e mais anos de debates, incluindo debates bem acalorados. A rede proporcionou uma mudança incrível na forma como muitas coisas acontecem, principalmente quando falamos de informação, cultura e entretenimento. Por traz dessas três palavras está uma outra que sofreu muito mais, para o bem e para o mal, que é MERCADO.
Vou pegar o exemplo da aula de hoje que tive na pós-graduação com o professor Sérgio Amadeu. O título da aula foi: Música digital, indústria da intermediação e plataformas de distribuição.
A música que é feita hoje é completamente diferente da que era feita há alguns anos, não falo só de "conteúdo", mas principalmente pelas possibilidades existentes para a realização dela. É fácil fazer música, seja boa ou ruim, e ficou mais fácil ainda torná-la disponível para que muitas pessoas ouçam. Isso não é sinônimo de fazer sucesso ou ficar famoso, mas temos que concordar que fenômenos como o Teatro Mágico, da forma como surgiram hoje, seriam praticamente impossíveis há alguns anos. A música está na rede, está disponível (mesmo que muitos não queiram), mas quem quiser ouvir vai ouvir, vai copiar e vai divulgar.
Passamos então para quem briga muito contra a música livre na rede e contra os downloads, sim você deve ter pensado nelas: as gravadoras. Claro, elas estão percebendo que a música estando na rede vão perder muito porque o intermediário é desnecesário na rede. O caminho entre ouvinte, música e produtor de música ficou muito mais curto e honesto. Agora as gravadoras tentam convencer que alguém que baixa música, copia um CD é um criminoso, muito complexo isso e que merece muito debate também.
Por fim vamos falar das plataformas de distribuição, ou seja o CD, DVD e outros meios necessários para se ter uma música. Com a digitalização esses meios já estão ultrapassados e caindo em desuso. Claro que o CD não vai morrer, mas digamos que vai ficar mais esquecido. Basta fazer uma conta bem simples, um CD comum comporta em torno de 14 músicas, um pouco mais, um pouco menos. Hoje, qualquer aperelho celular, ipode, ou um simples pendrive pode levar coletâneas inteiras, centenas e até milhares de músicas. Você pode pegar música do seu amigo, passar para seu professor que por sua vez vai ouvir a hora que bem entender e em qualquer lugar, sem precisar depender de um aparelho para tocar determinada plataforma.
O mundo está mudando, a tecnologia evoluindo a cada dia, cabe a nós também acompanharmos tais evoluções e aprendermos a conviver com essas novas possibilidades que se mostram a cada dia.

3 Comentários:

Fábio Diniz Nogueira disse...

Hoje o mundo digital nos oferece um leque de oportunidades em todos os sentidos no campo da cultura e entretenimento !!
Cabe a nós saber fazer bom uso da tecnologia que possuímos na palma da mão e que, em tempos passados, era algo inimaginável !!
As palavras de Paulo de Tarso são cada vez mais atuais quando lembramos que "Tudo me é lícito; mas nem tudo me convém."
Pensemos em nossas ações, repensemos em nossos atos e saibamos fazer bom uso de tudo o que hoje nos é proporcionado de modo contrutivo, útil e para o bem de todos !!
Somos todos dotados de livre arbítrio, do livre direito de ir e vir !!
Mas que saibamos usufruir dessa liberdade sem danos a outrem !!

Ana Beatriz Camargo disse...

Pronto, agora eu tenho quase certeza de que foi o seu professor da pós que comandou o debate ao qual eu assisti ontem. Durante o mesmo, chegamos às conclusões que, no atual momento, as bandas não batem mais à porta das gravadoras, e sim correm para a Internet; que sucessos como O Teatro Mágico e Móveis Coloniais de Acajú foram inexoravelmente viabilizados pela acessibilidade da W.W.W.; que todos nós, agora, somos os verdadeiros produtores de conteúdo, e que a pulverização da informação propiciou a variedade, que está longe de ser sinônimo de qualidade.
Na boa, debater sobre esses temas chama muito mesmo minha atenção. Gosto mesmo, sei lá.

Agora, quando você escreveu "Claro que o CD não vai morrer, mas digamos que vai ficar mais esquecido.", me fez lembrar da discussão sobre o Kindle. A Veja traz uma reportagem bem completa, eu diria, sobre isso na edição desta semana. Herz, dono da Rede de Livrarias Cultura, afirmou não estar preocupado com o advento dos e-books, porque os leitores de hoje ainda gostam do cheiro do livro, de lê-lo sentindo-o. Convenhamos, isso é a mais pura verdade. Entretanto, a matéria se encerra com um comentário que, (in)felizmente, faz sentido: o problema não está nos leitores de hoje, mas sim nos futuros leitores, os quais nasceram aprendendo a gostar muito mais do cheiro dos e-elávaicoisa do que das nossas vãs materialidades. Sinceramente, isso me assusta um pouco...


Mas é isso aí, Antena; como disse o Amadeu no debate "acho que me empolguei demais..." - e convenhamos, como sempre.
Mas é que dá gosto comentar nos seus textos, sempre tão ótimos. Parabéns mesmo!

Beijão.

Robson disse...

Muito bom o seu texto! Parabéns!

Ele me lembrou algumas reportagens que li sobre o livro Free! de Chris Anderson, este livro fala sobre a economia da gratuidade, um fenômeno incrível da ataulidade , particularmente relacionado a web, onde tudo que toca a rede digital rapidamente sente o efeito da queda de custos.
E a música foi uma das áreas que tem se beneficiado bastante com o advento desse tipo de economia, embora a indústria do entretenimento, nesse caso as gravadoras, tentam frear o download de músicas considerado como pirataria, já devem ter se dado conta que isso é impossível. O download de músicas já se tornou algo corriqueiro, e é inacreditável ver as gravadoras correndo em total descompasso com a realidade. Hoje as bandas novas sonham em se tornar conhecidas, mas sabem que as gravadoras não são mais necessárias para que isso aconteça. O monopólio das gravadoras sobre a indústria da música definitivamente está acabando, isto é ótimo , pois nessa era digital ninguém pode impor mais nada as pessoas em termos de gosto musical (teoricamente, talvez na prática deem um jeito), ou simplesmente criar artistas como nos famigerados programas formato "Ídolos" que não dão mais o mesmo resultado. A música tem perdido o seu valor comercial há um bom tempo, as gravadoras tem que perceber que o grande segredo é vender coisas que estão ao redor da música, ingressos para shows, livros, merchandising, etc. Coisas que podem permitir que a música seja distribuída gratuitamente, e não gere nenhum prejuízo àqueles que a produziram.

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