terça-feira, 17 de novembro de 2009

ESMERALDA

Eu tinha um outro texto em mente para essa noite, até vinha pensando nele quando retornava de Guarulhos, mas ao chegar em casa minha mãe me contou uma coisa que me fez voltar no tempo.
Quando era criança e até o começo da minha adolescência minha avó tinha um apartamento na cidade de Santos, mais precisamente no bairro do José Menino.
Era uma delícia quando chegava as férias, o apartamento era bem próximo da praia e a diversão era garantida. Lembro de grandes amigos que fiz por lá...
Nós ficávamos no quarto andar, apartamento 43. Corria pela escada logo quando chegava para encontrar com os amigos, contar como tinha sido o ano e para preparar as brincadeiras que seriam exaustivamente realizadas durante o período de férias.
Minha família tinha muita amizade com alguns vizinhos. Virava uma festa quando chegávamos lá, apareciam vizinhos de vários andares para saber das notícias, mostrar como os filhos tinham crescido e para matar a saudades de um bom papo a beira de uma grande janela que tinha na sala.
A vizinha do lado, do apartamento 44 nem sempre era a primeira a aparecer, ela vivia pela rua e dificilmente estava em casa. Esmeralda o nome dela. Quando ela chegava a primeira coisa que ela procurava era eu, que carinhosamente me chamava de "Tenorzinho". Iamos muito na casa dela, era só abrir a porta e andar poucos passos, mas parecia um outro mundo. Ela tinha um papagaio, não me lembro o nome, mas ele fazia um barulho infernal e cobria a cabeça com as asas quando um tia ia conosco para a praia. Ele não gostava dela porque ela falava muito, se até o papagaio ficava louco, imagine nós.
O barulho do mar, o cheiro do apartamento, a saudades dos amigos, as brincadeiras no prédio, as guerras de bexigas d'água, os bailes de carnaval e o abraço carinhoso da Esmeralda assim que me encontrava por lá, vieram instantaneamente na minha cabeça assim que minha mãe me contou que ela morreu.
Infelizmente nós perdemos contato com a maioria das pessoas de lá e a filha dela ligou aqui em casa hoje, depois de procurar por 4 anos nosso telefone (nem todo mundo está conectado), para dar a notícia. A notícia chegou tarde, mas a lembrança é eterna.

1 Comentário:

amigodcristo disse...

Querido amigo.. que tempo fantastico foi seu tempo de criança... é muito bom lembrar de nossa incência.. não É?
sinto muito pela noticia ...triste.. mas pelomenos as boas lembranças ficaram néh ...
Amigo paz e umaboa semana !!!

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