
Adoro observar as pessoas, aliás observar é uma coisa que faço bem... Igual aquela piada da coruja que foi vendida no lugar do papagaio, depois de algum tempo o vendedor perguntou para o cara que comprou a coruja:
- E ae, tá falando muito o papagaio?
Então o comprador respondeu
- Falar não fala, mas presta uma atenção!!!
Falo bastante também, mas nesses momentos de reclusão franciscana tenho observado muito mais do que falado. Hoje aconteceu um história que me comoveu muito. Não é crônica nem nada, tudo se deu da forma como vou descrever agora.
Pois bem, estava no metrô e uma mulher de aproximadamente 50 anos sentou próxima de onde estava. Ela vestia uma roupa elegante, tinha um guarda-chuvas de cabo longo, uma bolsa bonita e era bem arumada, ela parecia a Rita Lee, mas sem os cabelos vermelhos. Como eu ouvia música e lia um release para a gravação que ia fazer, não prestei muita atenção no movimento.
Passou uma estação e vi que todos estavam olhando para ela e resolvi tirar os fones e ouvir o que ela dizia. Ela estava puxando assunto com todo mundo. Duas meninas sentaram ao lado dela e ela começou a se intrometer no assunto das duas. A mulher falava muito alto e as meninas ficaram com vergonha e passaram a ignora-la. Ela não se intimidou e continuou falando com as duas. Os assuntos foram vários... vitória do Corinthians, volta por cima do Ronaldo, a chuva que estava forte.
Isso foi até a estação Paraíso... As meninas levantaram pra sair e eu também. Para surpresa das duas ela levantou e perguntou para onde elas iam. A duas ignoraram e sairam apressadas do vagão. Eu também sai e ao meu lado tinha um homem de terno. Enquanto esperavamos o metrô para fazer baldiação ela se aproximou de nós e começou a falar com o cara. Ele ignorou a mulher completamente.
Foi quando ela me olhou... Vi que seria a próxima "vítima" da mulher. Ela chegou perto e não falou nada, apenas me olhou. Entrou no vagão e como eu ia descer logo na próxima estação fiquei em pé. Ela se aproximou novamente e me disse:
- Eu não sou louca, moro sozinha há 10 anos, não tenho família, já me aposentei, fico o dia todo sem fazer nada. A vida me deu tudo, menos o mais importante, alguém para conversar.
Vou dizer que isso me deu um nó na garganta... Não sabia o que dizer para ela. Mas ela, antes que eu fizesse qualquer coisa, me disse:
- Obrigado por ouvir!!!
O metrô chegou na estação Brigadeiro e eu desci, quando olhei pela janela lá estava ela sorrindo e falando alguma coisa com um senhor que estava sentado.