sábado, 30 de janeiro de 2010

DEPOIS DE CADA CURVA

Eu sou apaixonado pela minha profissão. Isso não é segredo pra ninguém, principalmente para aqueles que me cercam. Claro que ela tem o lado ruim como em toda profissão, mas essa parte não consegue tirar o entusiasmo de ver seu material no ar e sendo comentado, é muito bom.
Mas isso não é nem o que mais me chama atenção quando faço meu trabalho. Ele me proporciona conhecer muitos lugares, pessoas e me coloca em situações das mais diversas e adversas. É aquela história, estamos no lixo e no luxo, na alegria e na tristeza (muitas vezes no mesmo dia).
Muitas vezes estamos trabalhando onde os outros vão se divertir, mas quem disse que não nos divertimos também? O mesmo se aplica para as situações tristes, é impossível não se emocionar ou ficar chocado em certas tragédias.
Na hora que começamos a gravar parece que o sangue dá lugar a outra substância, muito mais forte e que nos deixa com super poderes. Temos que ficar ligados em todos os nossos sentidos, que ficam aguçados em busca de algum sinal pertinente para nosso objetivo. Quantas vezes consegui uma entrevista por ter ouvido algo de longe ou então ter visto algo que ninguém viu e assim vai.
Por isso digo que nem sempre é fácil tirar férias. Por mais relaxados que possamos estar nas areias de uma praia, no sossego de um sítio ou até mesmo lendo um livro em casa, a mente parece não querer desligar. Qualquer barulho diferente, uma frase dita ao seu lado ou o próprio fato se desenrolando na sua cara é suficiente para injetar aquele líquido diferente que citei anteriormente nas veias e lá estamos nós prontos para registrar e reportar a notícia.
Conviver com as ambiguidades do dia-a-dia é uma constante. Lembro de uma vez que tive que gravar duas pautas diferentes no mesmo dia e elas eram completamente diferentes. Na primeira fui até uma favela na região do Morumbi gravar um senhor de 90 anos que cuidava de 300 cachorros. Um lugar até caótico, mas uma história impressionante. Saí de lá e fui para a inauguração de uma faculdade que fez uma festa regada a champagne para mais de 500 pessoas. Dois mundos diferentes que estive em poucas horas.
Assim são os dias, nunca se sabe o que vai surgir no toque do telefone. A nossa rotina é não ter rotina, me sinto dirigindo em uma estrada muito sinuosa, cheia de surpresas depois de cada curva.

1 Comentário:

Paulo Castilho - Videorrepórter disse...

Po, Antena, essa matéria dos cachorros e do véio, dá mó pauta...

Fala sobre isso comigo...



Abs,]PC

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