sábado, 29 de maio de 2010

SILÊNCIO

Estava na madrugada de ontem no meu quarto escrevendo, fazendo umas pesquisas e viajando um pouco na maionese e ouvi um barulho estranho vindo da cozinha, parecia um estalo bem baixinho e que se repetia, mas logo parava de ouvir quando começava a mexer em algo.
Sempre vem bobagem na cabeça, tem ladrão, é espírito, um bicho, um bicho estranho porque minha cachorra estava deitada na minha cama. Bom, levantei e fui até lá ver o que era o tal barulho, cheguei lá e não ouvi nada, fiquei parado e o barulho voltou. Era o ponteiro de segundos do relógio da parede. Voltei para o quarto e do nada comecei a pensar sobre ruídos, poluição sonora e som.
Engraçado como sons que sempre estão ali nós mal notamos por causa de outros ruídos que abafam esses sons menores. Comecei a reparar então em outros barulhos, uma torneira pingando, uma interferência na caixa de som da televisão e centenas de outras coisas que vão aparecendo. Como existem detalhes no dia a dia, como muitas coisas passam sem que tenhamos tempo de perceber.
Lembrei então de uma matéria que fiz há algum tempo sobre poluição sonora. Entrevistei uma fonoaudióloga que me emprestou um decibelímetro, aquele aparelhinho que "mede" os decibéis de um determinado lugar (pauta meio batida que qualquer televisão faz de tempos em tempos). Advinha para onde eu fui? Cabeceira da pista do aeroporto de Congonhas, exatamente naquele local onde o avião da TAM saiu da pista em julho de 2007.
O aparelho quase estourou, foi algo absurdo. Depois levei os dados coletados para a "fono" que esclareceu na entrevista os danos que a exposição diária com aquela quantidade de barulho pode causar na nossa audição.
Do jeito que vão as coisas, com a intensidade de ruídos que estamos em contato no dia a dia vamos ficar todos surdos, ai precisaremos criar novas formas de comunicação (nossa que viagem isso, tá parecendo ficção científica). Mas não sei porque essa viagem toda me fez lembrar do livro Ensaio sobre a Cegueira do José Saramago. Imagine algo parecido, mas ao invés de cegos todos ficassem surdos.
Nossa, o que um barulhinho diferente no meio da madrugada pode fazer... O mais engraçado é que lembrei de escrever sobre isso agora por causa de uma outra coisa completamente diferente que aconteceu agora e ia citar no texto, mas nem citei e nem fez falta no texto.

4 Comentários:

Ana Magal disse...

Hehe... meu amigo... Liga não viajo com muito menos que um simples barulhinho. E citando o Ensaio sobre a Cegueira, que amo, tanto o livro quanto o filme, foi simplesmente demais.

Realmente não percebemos como pequenas coisas do nosso dia-a-dia nos afetam. Passamos por pessoas todos os dias, que se fôssemos dar 'oi' seria amigos de infância. Outro dia vim reparando isso do trabalho. Todo dia pego a mesma Kombi, com o mesmo motoristas e cobrado, e junto comigo tem uma professora que tb pega... Conversamos e tal e mal nos conhecemos. É incrível quando percebemos que pequenas coisas acontecem todos os dias e mal damos atenção necessária... Como o seu barulhinho do relógio. Ele sempre esteve ali, você é que nunca percebeu. rs

Bom domingo!!!
Saudade!

Renata Carraro disse...

Legal sua piração da madrugada! Tava mesmo querendo como era isso... rsrsrs Abs, cara

Ana Beatriz Camargo disse...

Comecei lendo o post e pensando: "Pronto, ou entrou ladrão na casa do Antena ou ele está acreditando em assombração!" (Rsrs)

Mas que bom que não era nada :-)

Você tem cachorro? Que foto. Como é o nome?

Beijo!

Antenor Thomé disse...

Viu só Renata, as viagens são constantes uando passo da meia noite... Detalhe, não tem droga no meio... hehehe

Ana Beatriz.. que bom mesmo que era só o relógio.. Tenho cachorro sim, uma cadelinha chamada Pitty.. Tem fotos dela lá no orkut...

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