sábado, 3 de julho de 2010

NO VÃO LIVRE

Na última quinta-feira tive algumas gravações no período da tarde, até então nada que fugisse do habitual e da mais completa normalidade. Entre uma gravação e outra, sobrou um pequeno espaço de tempo, que aproveitei para descansar em um lugar muito famoso da cidade, mas que nunca tinha ficado muito tempo por lá só observando, o vão livre do MASP.
Fique lá por alguns minutos observando as pessoas e achei muito interessante a quantidade de pessoas dos mais diferentes tipos e idades. Sentei bem na parte central, de frente o imponente museu e sua arquitetura moderna e ousada, nas costas a visão incrível da cidade.
Enquanto aguardava fiquei ali ouvindo histórias e reparando nas pessoas que me cercavam. Bem ao meu lado direito tinham dois casais homossexuais. Duas moças trocavam carinhos e palavras de afeto no pé do ouvido e dois rapazes conversavam sobre trabalho entre um beijo e outro.
Já do meu lado esquerdo havia um grupo de adolescentes, com suas máquinas fotográficas sedentas por momentos e um violão que insistia em tocar seguidamente Legião Urbana. Um pouco mais distante chegava um grupo com uns 15 turistas de Curitiba, o guia que acompanhava a visita explicava sobre o local, o museu e o vão livre. Achei estranho ele falar que naquele local havia morrido o irmão do Marcos Mion como se fosse um fato turístico do vão livre.
Duas pessoas me chamaram a atenção, o primeiro era um morador de rua que visivelmente estava com transtornos mentais. Ele andava seguidamente de um canto para o outro sem levantar a cabeça e fazer qualquer comentário, não estava incomodando ninguem, apenas andava.
A outra pessoa era uma mulher, com uns 35 anos, bem vestida e que ficava puxando papo com as todos que estavam por ali. No começo achei que fosse alguma mulher muito comunicativa, mas ficou evidente depois que ela também devia ter algum transtorno. Ela se aproximou dos rapazes que estavam perto de mim e começou a conversar com eles como se fossem amigos de muito tempo. Depois foi até outras pessoas e ficou assim até eu ir embora.
Enquanto isso chegava uma equipe de TV para gravar um trecho de uma reportagem e praticamente ao mesmo tempo um grupo de estudantes fazia fotos de um modelo.
Nesse curto espaço de tempo que fiquei lá parecia que o mundo ao meu redor tinha sumido e para aquelas pessoas também. O nome de "vão livre" nunca se encaixou tão bem como naquele momento. Parecia um "vão" no tempo e no espaço, um lugar onde diferentes pessoas estão, fazendo coisas diversas, com objetivos variados e ao mesmo tempo compartilhando um do espaço do outro.
Aproveitei e tirei umas fotos por lá, mas obviamente não fiz imagens das pessoas que compartilhavam deste vão livre em meio a loucura da cidade grande.




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