segunda-feira, 12 de julho de 2010

O BEM AMADO

Quando há algum tempo vi o trailer antes de assistir um filme qualquer no cinema fiquei com uma sensação de saudosismo. O Bem Amado é uma história antiga, do autor Dias Gomes, que originalmente feita para o teatro ganhou a televisão e agora o cinema.
Achei sensacional colocar na telona a vida de tantos personagens memoráveis como Odorico Paraguaçu, Dirceu Borboleta e as irmãs Cajazeiras. Então vem a razão pelo meu saudosismo diante do trailer no cinema: a obra fez parte de um momento muito especial da minha vida.
Era 1999 e eu já tinha participado de algumas peças de teatro no Colégio de Santa Inês, onde passei toda minha infância e adolescência. Estava no último ano do colegial e estava ansioso com a aproximação dos vestibulares. A carreira escolhida era o jornalismo, não foi uma escolha, foi uma confirmação. Entre provas, trabalhos foi proposto para nosso grupo de teatro uma participação em um grande festival de teatro amador.
Muito se discutiu e então houve a escolha para fazer a montagem da peça de Dias Gomes, O Bem Amado. Tudo muito interessante e bonito na teoria, mas na prática seria uma luta conta o tempo e contra a falta de estrutura, além de um texto longo e complexo.
Iriam acontecer testes para os personagens em agosto daquele ano e a peça seria apresentada no final de outubro. Eram apenas dois meses de ensaios. Eu ainda não tinha feito um grande papel nos anos anteriores. No começo era a inibição que me afastava do desafio e depois foi não me adequar tanto aos papeis. Mas este eu tinha certeza que queria fazer, gostaria muito de interpretar o prefeito de oratória rebuscada e cheia de rococós de Odorico Paraguaçu.
Nas férias de julho peguei uma cópia do texto com a professora Manuela, que coordenava os trabalhos. Disse que gostaria muito de fazer o papel e sabia que conseguiria. O desafio era imenso já que eram mais de 360 falas, grande parte delas discursos políticos rebuscados e irônicos.
Em agosto, quando foi feita a seleção eu era o único homem que disputava a vaga do personagem principal e depois da "audição" fiquei com o papel. Para minha sorte, neste mesmo dia eu já tinha 90% do texto decorado.
Ensaiamos muito nos dois meses que seguiram e foi muito divertido, pois o texto é sensacional. Em outubro fomos para o festival com a certeza que iríamos apenas participar, já que outros grupos tinham muito mais tempo, experiência e estrutura. A apresentação foi ótima e os jurados (especialistas da área) me indicaram ao prêmio de melhor ator. Não ganhei, mas foi muito bom ver que fiz um bom trabalho.
Apresentamos a peça várias vezes sempre com o teatro lotado e com risadas garantidas. Depois disso passei no vestibular, deixei o teatro de lado e fui me dedicar ao jornalismo. Eis então a razão do saudosismo ao assistir um trailer antes de uma sessão de cinema. Por falar em trailer olha ele ai.

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