quarta-feira, 15 de setembro de 2010

WEBJORNALISMO, TELEJORNALISMO E A VIDEORREPORTAGEM

Bom, esse é um tema muito profundo no qual eu gostaria de mergulhar, mas tenho medo de não ter ar suficiente para voltar a tona, portanto vou até onde o oxigênio e os equipamentos me permitirem. Como em um oceano, além de profundo é também muito vasto, portanto tenho que reduzir o universo do mergulho para um determinado ponto. Vou falar sobre a videorreportagem e como ela avança na web e na televisão.
Não cabe a mim, neste momento falar sobre toda a história da videorreportagem, que é longa, mas que fique entendido aqui que ela não é uma prática recente. Existem vários estudiosos que estão voltando suas atenções para esse jeito de produzir conteúdo, no caso aqui especificamente para o jornalismo, mas ele não se resume a isso apenas. A maioria desses estudiosos são profissionais que estão no olho do furacão, ou seja, videojornalistas que estão cunhando teorias para explicar o que fazem na prática. Posso citar vários entre eles o Paulo Castilho, a Carol Thomé entre tantos outros e onde humildemente me incluo, já que além de fazer, gosto muito de entender aquilo que faço, por isso estudo muito jornalismo, televisão e de um ano pra cá estou mergulhando na videorreportagem.
Ainda hoje muita gente torce o nariz quando falo que sou um videojornalista. É possível ler a mente da pessoa raciocinando: "hum... esse ai pega uma câmera e acha que pode fazer uma reportagem". Primeiro que é uma visão muito diminuta do que é uma videorreportagem, segundo, essa pessoa foi condicionada a pensar que uma reportagem para televisão só pode ser boa se tiver a participação de um produtor, de um repórter, de um cinegrafista, de um assistente, de um editor e ainda estar atrelado a alguma emissora para que o seu conteúdo tenha qualidade e credibilidade. Um tremendo engano e um pensamento que ainda é disseminado nas salas de aula das escolas de jornalismo.
Claro que a grande maioria do conteúdo que é feito hoje ainda segue a receita tradicional e certamente vai continuar assim. Mas sempre existe a outra forma, um trabalho que é mais autoral, mais íntimo e que não perde nada em qualidade quando é feito por bons profissionais. Há ainda certos preconceitos, que enxergamos nas externas diariamente, quanto ao trabalho de videorrepórter. Um preconceito do próprio meio, que vem com aquela história que vamos tomar o emprego desse ou daquele. Bobagem, quem é bom fica, quem é incompetente uma hora vai sair de um jeito ou de outro.
O que muita gente precisa entender que essa é MAIS uma forma, no sentido de somar, de agregar, de caminhar lado a lado para a produção do conteúdo audiovisual. Citei a Carol Thomé que faz belas matérias na Band, tem o Rodrigo Leitão por lá também, o Marcelo Guedes com ótimas reportagens, o Paulo Castilho e sua visão entusiasta, a Renata Falzoni e se eu ficar aqui citando não vou acabar o texto. O que eu quero dizer que todos eles produzem conteúdos sensacionais para os veículos para o qual trabalham. Existem dificuldades? Sim e são muitas, o bom senso é encontrar o caminho certo e as condições adequadas. Algumas matérias são ótimas para o exercício da videorreportagem, outros tipos são um pouco mais complicados. Ai está a questão de adequar a ferramenta ao tipo de conteúdo.
Onde entra o webjornalismo neste texto? Ele entra com o barateamento das ferramentas: computadores, câmeras, editores de vídeo; e com a falta da necessidade de ter o seu conteúdo atrelado a algum grande veículo de comunicação. Na web todos temos condições iguais e aqui podemos expor nosso trabalho sem depender de ninguém. Com isso o número de produtores de conteúdo, o número de videojornalistas tem crescido bastante e acho que a videorreportagem cabe como uma luva para a produção de vídeo na web.
Dito isso e vou ter que emergir para respirar, vou usar um exemplo muito interessante que aconteceu esta semana. Todos aqui conhecemos a jornalista Ana Paula Padrão, que por sinal deu uma entrevista muito interessante para este blogueiro no ano passado. A Ana sempre foi conhecida por suas grandes reportagens, matérias profundas e que sempre tiveram o aparato técnico já descrito anteriormente. Lembro que quando fui fazer a entrevista ela ficou bastante "empolgada" com o fato de que eu produzia o conteúdo sozinho e isso não aconteceu só com ela.
Em um momento de férias (essa é uma prova também de que jornalista não tira férias), a Ana se deparou com uma grande história e ela, assim como eu e outros colegas, somos contadores de histórias. No Zâmbia, sem a presença de um produtor, cinegrafista, apenas ela e a sua câmera foram suficientes para contar uma bela história. Jornalismo puro, feito exclusivamente por um profissional que encarna vários se precisar. Ela foi a produtora, a cinegrafista, a repórter e a editora quando voltou ao Brasil e finalizou sozinha o conteúdo.
Gostei do que o Paulo Castilho escreveu pra mim no Facebook: "Apertar o botão é fácil! O segredo da história está no cérebro de quem conta, na medida da sensibilidade que um videojornalista precisa ter".
Tenho certeza que se essa matéria da Ana entrasse em qualquer telejornal sem nenhum crédito ninguém diria que ela fez sozinha. Pedi para a Ana e abaixo você confere a videorreportagem feita por ela e que conta a história da Petronela. Espero que você Ana continue fazendo mais videorreportagens (tomei a liberdade de falar direto porque sei que ela espia este blog as vezes - momento metido de alguém que emergiu rápido demais para a superfície)

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