quinta-feira, 14 de outubro de 2010

AGENDANDO O PASSADO

A cada dia que passa tenho a sensação ainda maior de que o mundo está girando mais rápido e eu não estou tendo fôlego para acompanhar essa aceleração bruta do tempo.
Óbvio que o tempo sempre foi o mesmo, nós é que aceleramos e colocamos a culpa nele. Arrumamos mais coisas do que podemos fazer, queremos abraçar o mundo e mal conseguimos dar a volta no quarteirão. Sempre queremos mais, queremos ler mais, ter mais, comprar mais, escrever mais e esquecemos que existem limites que são rígidos.
Cada um faz o seu tempo, mas é difícil dialogar com ele para encontrar um denominador comum e conseguir realizar tudo o que planejamos. Uma coisa que não utilizo faz algum tempo é agenda física. Aquela com os números todos enfileirados, com espaços enormes para anotar suas tarefas diárias, compromissos, planos. Desisti!! Eu nunca anotava nada nela, não por falta do que ter o fazer, mas por sempre me organizar muito bem e não depender dela para isso (estranho, já que ela seria uma forma de organização, mas utilizo outras formas).
Comecei a largar a agenda porque ela também me trazia uma sensação de passado, coisa velha. Muitas vezes anotava meus compromissos nela depois que eles aconteciam, portanto eu agendava o passado. Me sentia no filme "De volta para o futuro" porque enquanto anotava lá parecia que estava planejando algo que já tinha acontecido. Complexo, coisa de cabeça de gente meio maluca.
A tecnologia também é culpada por nos sentirmos tão acelerados e sem tempo. Não há mais limites entre o profissional e o pessoal, o que é do escritório e o que é de casa. E-mails, celulares e outras centenas de formas de nos comunicarmos apagaram essa fronteira. Na hora do trabalho tem gente papeando no facebook com amigos distantes, em casa, antes de dormir, você recebe uma ligação de um colega lembrando sobre a reunião e os papéis que não pode esquecer e por ai vai. Abrir o computador em casa, depois do trabalho é pedir para continuar trabalhando. Quem não resiste em abrir aquele e-mail do chefe e então se depara com aquele problema pra resolver. Dormir que nada, você vai, responde e tenta resolver. Com a grande maioria é assim.
Dessa forma vamos esmagando cada vez mais o relógio e então escrevemos no blog para sentir um rápido alívio porque tivemos um tempinho para desabafar.

1 Comentário:

Ana Magal disse...

Engraçado vc falar da agenda de papel... Por mais que a tecnologia faça parte da minha vida hoje não consigo largar a minha. Acho que é um tal complexo de diário de menina e também porque já perdi todos os meus compromissos uma vez que perde o celular, então nunca mais confiei somente na tecnologia.

Ainda gosto do cheiro do papel, de segurar a caneta e confesso, tem dias que ainda pego minha velha máquina de escrever e escrevo minhas crônicas nela só para matar a saudade...

O bom de relembrar o passado é poder olhar para o futuro com uma perspectiva diferente...

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