quarta-feira, 20 de outubro de 2010

ARTE DE CORTAR

Uma das coisas mais complexas em uma reportagem é a edição. Não só por tratar da junção do que foi gravado, com o que foi apurado e ainda tentando fazer algo criativo e que dê o devido destaque para a notícia ou para aquilo que se propõe o vídeo.
Quando comecei a trabalhar com televisão a edição "não-linear" feita nos computadores era quase que ficção. Apesar de existirem experiências a edição feita dessa forma ainda estava longe de ser realidade no Brasil. Tudo era feito nas ilhas enormes, cheias de monitores, vts, máquinas com botões iluminados e coloridos. Lembro que a primeira vez que entrei em uma ilha de edição fiquei besta de tantos detalhes que existiam.
Fui aprendendo só com a observação, já que naquela época, a edição era um trabalho apenas para os editores. Eles se entendiam com todos aqueles botões, faziam tudo tão rápido que era quase impossível entender o que era apertado para cortar, o que era girado para acelerar ou retroceder a imagem. Foi em uma ilha de corte seco (que não tem tantos detalhes e serve para edições mais simples) que comecei a fuçar e tentar entender como tudo era feito e consegui.
A edição de imagens nunca foi meu forte, gostava de mexer no conteúdo, editar os textos, escolher os melhores takes, decupar (basicamente saber o que tem em cada gravação e anotar os tempos) o material, depois disso montar o esqueleto da reportagem ou programa e mandar isso tudo roteirizado para a edição de imagens.
A tecnologia avançou mais rápido do que imaginávamos e então os primeiros computadores de edição não linear foram chegando na emissora. No começo eles eram odiados porque travavam, davam pau, sumiam com arquivos e a maioria ainda preferia editar na boa e velha ilha (ainda tem os que prefiram).
Os avanços não apraram por aí e o que era feito em grandes espaços, dependendo de várias máquinas e pessoas, hoje pode ser feito em qualquer computador vendido nas Casas Bahia. Os programas para editar praticamente vem nos pacotes básicos ou então são encontrados facilmente para vender. As câmeras baratearam, gravam em memória e não dependem mais de fitas. O profisisonal que antes era segmentado hoje tem que se virar com tudo.
Ainda apanho um pouco pra editar, mas com o tempo vou aprendendo mais. Mas o mais difícil da edição não é a parte técnica e sim saber o que serve e o que não serve, saber qual a melhor forma de montar uma matéria, o que deve vir primeiro, de que forma dá mais impacto. Como muitos dizem: "a edição é a arte do desapego". Com tantas coisas legais gravadas, grande parte delas vai para o lixo virtual e não é fácil se desfazer.
Mas assim como na vida temos que nos desapegar de algumas coisas e dessa forma vamos editando nosso caminho.

3 Comentários:

Ana Beatriz Camargo disse...

Oh céus! Sinto, por antecipação, que eu terei problemas com a edição. Como que é esse negócio do desapego? To perdida... Ana Beatriz e desapego, definitivamente, não rimam.

Agora, a @migrantedigital é que vai curtir seu post. Ela e a teoria dela do "homem ilha" que vai de encontro ao "Por quem os sinos dobram" hemingwayiano (?). Rs.

Beijos!

Débora Nobre disse...

Antenor!
Consegui! Agora sim os vídeos ganharam qualidade. Salvei na versão HD e fica show! Ah, e liguei pra NET pedindo um aumento :)

Falta só ficar mais espertinha na hora de escrever os textos (quem sabe fazer isso pela manhã, e não às 11 hora sda noite, ajude um pouco).

Beijos e Feliz Aniversário

Fãs d'Esportes disse...

Bota desapego nisso Antena. Sofro na hora de editar e de saber qual melhor angulo a matéria deve ficar. Mas com o tempo eu chego lá, rsrs.

Abs!!

Rodrigo Hoschett

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