quinta-feira, 7 de outubro de 2010

JOGO DE PALAVRAS

Trabalhar com as palavras não é nada fácil, elas são ricas, elas são amplas e ao mesmo tempo perigosas. Basta mudar um verbo, alterar o artigo, puxar um sinônimo para que tudo ganhe novos significados.
O objeto pode ser indireto, o sujeito oculto, podemos estar no plural, com acento e sem ponto final. A palavra é aberta e reveladora, nos coloca de frente com o desconhecido e serve para desbravarmos o mundo como se ela fosse uma foice que corta o que vem pela frente sem dó e a menor piedade.
Sem a palavra não há a ironia, não há a mentira e nem a verdade para desmenti-la. O que seriamos de nós sem ela? A palavra é viva e por isso preenche os nossos vazios. Ela é instrumento, é começo, meio e fim.
Na última terça-feira fizemos um exercício muito interessante na pós-graduação. A professora nos deu um texto para ler e depois pediu que cada um grifasse palavras que mais chamavam atenção ou despertassem algo em nós. Até então foi fácil, texto lido, palavras escolhidas e uma lista feita.
Depois veio o desafio. Em grupo teríamos que juntar as palavras que cada pessoa escolheu e escrever um texto, sobre qualquer assunto, utilizando todas aquelas palavras. Individualmente talvez não fosse um exercício tão complexo, mas em grupo realmente é um desafio, já que cada um tem uma ideia, um estilo, pensamentos diferentes e por aí vai.
Achei muito interessante o resultado final de todos os grupos. Na grande maioria as palavras escolhidas foram as mesmas por todos os grupos, mas a diversidade de caminhos foi incrível. O nosso grupo teve uma mescla de filosofia e uma busca por explicar o desconhecido, outro grupo escreveu um epitáfio muito bonito, com outros colegas surgiu a literatura e também a crítica social. O resultado foi realmente inspirador.
As palavras agiram naquele momento, cada uma ativou algo inesperado e tocou de forma única em cada um. Isso acontece sempre e quase nunca percebemos. Seja em um texto, com uma música, com um vídeo, com uma história. As palavras sempre estão lá nos fazendo sentir, amar, escolher, ou seja, elas dão sentido para a vida.

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