Ontem fiquei sabendo de um fato e hoje tive como comprovar, in loco, o quanto é importante uma faculdade que saiba direcionar o aluno para a melhor forma de exercer a profissão. Eu ainda sou a favor do diploma, mas depois dos fatos que presenciei e fiquei sabendo fica claro o porque o diploma de jornalismo ficou tão banalizado e ridicularizado.
Eu concordo que o jornalismo é uma profissão onde estão misturados talento nato, estudo, dedicação e principalmente a prática. Colocar a mão na massa sempre foi a melhor forma de aprender a cozinhar, ter o contato com os ingredientes, errar na mistura, queimar a massa até achar o ponto certo para o bom prato. No jornalismo é assim também, mas a faculdade é importante para dar uma base teórica concreta e também ensinar os primeiros passos da prática. Vamos ao problema...
Uma instituição de ensino superior (que não vou citar o nome) tem lá o seu curso de jornalismo. Ótimo, mais pessoas em sala de aula se esforçando para elevar o seu intelecto, então chega a hora da aula de telejornalismo. Telejornalismo tem a sua teoria, mas é uma matéria extremamente prática, de colocar a mão na massa, assim como radiojornalismo, fotografia e por aí vai.
Voltando ao exemplo de cozinhar, o que se espera é que a pessoa que vai te ensinar a cozinhar seja um cozinheiro ou pelo menos cozinhe muito bem, mas imagine se esse seu professor nunca cozinhou um miojo na vida, como ele pode te ensinar?
Essa é uma situação que acontece muito pelas salas de aula de todo Brasil. Uma faculdade escolhe um professor de telejornalismo que nunca pisou em uma emissora de televisão, produtora de vídeo ou algo similar. Como assim? Essa é uma matéria que a vivência do professor é fundamental para a linha de ensino a seguir. Como ele pode ensinar a produzir uma reportagem se ele nunca fez? Como ele ensinar a escrever um texto para tv se ele nunca escreveu? Assim não tem como. É o mesmo que você dizer que melancia é uma delícia sem nunca ter provado a fruta ou então dizer que sexo é bom sendo virgem.
Aproveitando minha ira, ontem estive no lançamento do livro Karma Pop, do jornalista Arthur Verissimo e sempre vejo o quanto a experiência, a prática e também algumas horas de sala de aula ajudam a enfrentar certas situações. A arte da paciência, o tom para a entrevista, quem se deve entrevistar e outras tantas coisas. Aproveito também para olhar o que os outros estão fazendo e vi uma cena constrangedora.
Uma colega, visivelmente inexperiente (o que não é nenhum demérito), mas quando você não tem a experiência você tem que se apegar em outros fatores, como conhecer bem a pauta, o entrevistado e saber o que perguntar. A pessoa chega na frente do entrevistado e lê uma pergunta que está escrita no caderninho. O entrevistado responde e a pessoa não prestou a menor atenção no que ele disse, ficam aqueles segundos de silêncio até ela recorrer ao caderninho novamente e ler a próxima pergunta. Outra gafe, o conteúdo da segunda pergunta já havia sido respondido na primeira resposta e ai a entrevista acabou, sem a jornalista saber mais o que perguntar.
Entendo o nervosismo, entendo o estresse, mas isso vai além dessas coisas, se você se propõe a fazer algo, faça aquilo com propriedade. Estude, se prepare o máximo possível, mas certamente esse erro não foi só dela, quem sabe ela não teve um professor que nunca fez uma entrevista na vida. Já vimos que isso não é nada incomum.