quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

A UVA E A FALTA DE LUZ

A primeira terça-feira de correria total foi cheia de surpresas e boas inspirações para um cara que gosta de escrever como eu.
No caminho para a RedeTV! encontrei um casal de Porto Alegre que estava aproveitando o dia para conhecer São Paulo. Eles estavam passando férias em Maceió, o voo de volta fez conexão aqui em São Paulo e propositalmente programado deixaram bastante tempo entre um voo e outro para conhecer a terra da tempestade.
Na estação de trem eles me pararam e pediram uma informação. Dei algumas dicas de locais legais para conhecerem e eles me acompanharam durante uma parte do percurso até onde tinham que desembarcar. Fomos conversando e fiquei impressionado com a história deles. Os dois são donos de um sítio em uma cidade pequena próxima a Porto Alegre, no sítio eles plantam uvas que são vendidas para a produção de vinhos.
Eles perguntaram o que eu fazia. Contei. Foi então que ele me disse que o contato deles com computadores, internet, televisão era quase zero. A única coisa que costumavam assistir era a novela das 9 e o programa do Silvio Santos aos domingos. Levam uma vida simples, no campo, na natureza, sem a correria das grandes cidades.
Uma das coisas que mais impressionava o casal aqui era o corre corre das pessoas, a falta de tempo, a nítida imagem de nervosismo, de urgência... Eles desceram na estação desejada, foram muito simpáticos, agradeceram minha atenção e ajuda e sumiram no meio da multidão enlouquecida. Se não estivesse com o horário apertado teria acompanhado o casal e gravado uma videorreportagem.
Eu segui meu rumo. No fim da tarde choveu, aguardei a chuva passar um pouco e fui embora, estava inquieto porque tinha e-mail para responder, ligações para fazer e ainda atualizar o blog. Ao chegar no meu bairro percebi tudo apagado, a chuva já tinha passado, mas estava tudo na penumbra.
O bairro estava sem luz, um transformador explodiu e não havia previsão de reestabelecimento da energia. Fui informado pela minha mãe que a situação estava assim desde o final da tarde. Para ajudar acabou a bateria do celular. Fiquei isolado do mundo "virtual", no mundo "real" pouco me restava para fazer. Imediatamente lembrei do casal de Porto Alegre, resolvi desencanar de tudo, deitei no sofá, abri bem a janela , uma garrafa de vinho e fiquei olhando o céu. Por horas (a luz demorou 6 horas para voltar) esqueci de tudo, apenas relaxei, deixei o silêncio falar com meus pensamento, a escuridão iluminar minhas ideias e a tranquilidade ditar o ritmo dos meus batimentos cardíacos.
A luz voltou e atrapalhou o momento, mas tudo foi muito produtivo.

2 Comentários:

Chris disse...

Poxa, a gente nem se dá oportunidade no dia a dia de nos ouvirmos, né? As pessoas acham q o silencio incomoda. e qdo veem q estao em silencio logo ligam musica, pra alguem, a tv,o pc. Talvez seja medo de ficar sozinhas.Talvez seja medo de conhecer a si mesmas.

Flavio Shu disse...

Nossa acabei me envolvendo completamente com o assunto, o texto ficou pequeno diante da minha expectativa ..rs Isso nos faz refletir o quanto somos tomados pelos nossas tarefa e acredito que muitos não sabem mais o que é o silêncio, eu mesmo sou um, é só o acaso como seu exemplo para darmos a devida importância para esse momento tão simples, importante e ao mesmo tempo tão raro.

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