domingo, 13 de março de 2011

O PODER DE REGISTRAR

O assunto ainda é o terremoto e o tsunami que aconteceu no Japão, mas vou abordar aqui uma outra questão relacionada aos acontecimentos.
Na década de 90 (talvez até antes) quando éramos estimulados a pensar em uma imagem estereotipada de um oriental, principalmente um japonês, certamente viria a imagem de uma pessoa sorridente com uma máquina fotográfica pendurada no pescoço.
Pois bem, não é a toa que grande parte das empresas de equipamentos áudio visuais (câmeras, máquinas fotográficas, filmes, computadores, televisões) tem origem e sede na ilha nipônica. Como em muitos casos os japoneses antecipam tendências e na década de 90 eles já vivam essa paixão pelo registro de tudo o que acontecia ao redor. Não falo aqui da questão profissional, falo do cidadão comum, que trabalha em diversas áreas da economia local. Um oriental sem máquina fotográfica é raro, hoje os aparelhos são mais sofisticados, menores e englobam muitas coisas em uma só. Registrar é uma palavra chave.
Com o passar do tempo, essa "mania" de ter sempre conosco algo que possa perpetuar um momento, gravar um acontecimento foi ficando mais forte (ajudado e muito pelo barateamento dos equipamentos). Fazendo uma analogia boba, isso gerou um tsunami de flagrantes pelo mundo. Antes mesmo da internet ganhar força eram incontáveis os programas americanos de imagens registradas por pessoas comuns em situações cômicas, perigosas, incríveis...
A internet veio potencializar isso, principalmente com a criação do Youtube, que proporcionou a todos a possibilidade de ter o seu momento, o seu registro divulgado para o mundo. Há milhões de coisas inúteis, há milhões de coisas sem qualidade e há milhões de coisas interessantes e que acrescentam em informação, cultura, conhecimento, entretenimento...
A velocidade com que essas informações começaram a chegar nas pessoas foi ficando tão rápida que em muitos casos ultrapassa os veículos de comunicação tradicionais e ganham destaque. Nem vou entrar aqui no mérito da simples informação, falo de imagens em vídeos e fotos que tecnicamente levam mais tempo para percorrer os caminhos digitais.
Os ataques ao World Trade Center em 2001 mostraram o quanto os cidadãos estão munidos e prontos para registrarem o que acontece ao seu redor. Até hoje aparecem imagens inéditas do choque dos aviões. Outros fatos depois disso aconteceram e também ganharam registros, transmissões online, videorreportagens, fotos, que nos ajudam a entender melhor e ter uma dimensão muito mais real e próxima dos acontecimentos.
Mais recentemente, no Egito, transmissões online, fotos, vídeos realizados por cidadãos, já que os veículos de comunicação tradicionais nem sempre tinham permissão para realizar o seu trabalho, eram a ligação do problema com o mundo ao redor.
Assistindo toda a tragédia do terremoto no Japão, me chamou a atenção a quantidade de registros feitos pelos cidadãos de momentos do terremoto. Muita gente "transmitiu" ao vivo pelo Skype os momentos de tensão, outras pessoas fizeram fotos e vídeos em seus apartamentos, no trabalho e na rua.
As emissoras de televisão japonesas fizeram um excelente trabalho mostrando ao vivo o tsunami chegando na costa, pessoas fugindo, barcos e carros arrastados e lugares destruídos. Essa é a visão do todo, do geral, em larga escala para termos a dimensão ampla do que aconteceu. Mas foram as pessoas, o cidadão comum que anda com um celular que faz foto e vídeo, com a sua câmera ou máquina fotográfica, que nos deu a visão in loco, foi o "zoom", o detalhe do fato e que de fato nos traz o lado humano e próximo da tragédia.
Lembrando de uma outra tragédia, o terremoto no Haiti fez muitos mortos e destruiu o país. Não foi uma emissora de televisão, um grande jornal ou profissionais de comunicação que fizeram um dos principais registros do caos. Um membro do exército brasileiro gravou com a sua câmera pessoal e conseguiu traduzir em imagens para quem não estava lá uma boa parte da destruição nas ruas e do desespero das pessoas.
No terrível tsunami que aconteceu em 2004 na Tailândia tivemos muitos registros do momento exato em que a onda gigante chegou na costa e arrasou com tudo o que encontrou pela frente
A tendência é que esses registros aconteçam cada vez mais, seja na vida particular, seja em grandes acontecimentos como uma Copa do Mundo ou em tragédias como essa. Hoje todos nós somos como os japoneses de antigamente e estamos com o dedo no "rec" prontos para registrar tudo o que acontecer diante de nossos olhos e principalmente diante das nossas câmeras.
A foto que ilustra o post foi retirada do blog Lost in Japan. Abaixo 3 registros feitos por moradores durante o terremoto...





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