segunda-feira, 19 de setembro de 2011

A DEUSA DOS RAIOS AZULADOS

Antigamente, quando se queria comprar um aparelho de televisão, você normalmente precisaria apenas escolher o tamanho da tela. Tamanho que era restrito a nada mais do que 4 modelos diferentes e uns maiores para quem tinha muito dinheiro.
Como sempre gostei de televisão estive na frente das escolhas aqui em casa. Eu lembro de um aparelho que tinha aqui, da Telefunken, que tinha 13 botões, referentes aos canais VHF. Eram botões duros, barulhentos e que acendiam uma fraca luz laranja no canal selecionado. Havia também um seletor de volume, outro de brilho e mais um de contraste. 
A alegria reinou em casa quando meu pai comprou um aparelho grande, de 29 polegadas. Era algo extremamente grande para a época, tinha caixas de som separadas, botões mais chiques e o controle remoto, que mudou o hábito de ver televisão de muita gente. Ficamos com ela por um bom tempo. Ela era boa, adorava jogar vídeo game nela. 
Tínhamos também uma caçula, uma pequena TV de 14 polegadas que quebrava o galho quando precisávamos nos deslocar. O tempo foi passando, a tecnologia evoluindo e os aparelhos ficaram obsoletos.
Foi então minha primeira ação nos palpites de qual aparelho deveríamos comprar. Uma nova TV, prata, mais leve, mais fina (ainda sim gigante) e com boa qualidade. A troca foi feita, eis que pouco tempo depois começaram a surgir as TVs de LCD. Muito caras, quase que um sonho distante. Há pouco mais de 2 anos investi no LCD, com a chegada da TV Digital, eu que sou um profissional de televisão me vi obrigado a comprar um aparelho desses. 
Foi paixão a primeira vista, até que fui seduzido pelo LED, que surgiu para nos deixar ainda mais irritados com tamanha perfeição. Então resolvi comprar a TV de LED, porém me deparei com uma montanha de detalhes que tornam uma compra extremamente difícil, até para quem conhece. 
Contraste, SmartTV, entradas HDMI, Full HD, 3D, conversor integrado, entrada USB, wi-fi, conectividade, controles futuristas, espessura da tela, hertz e claro, o tamanho. 
Depois de um calvário achei um modelo interessante por um preço ainda mais interessante. Agora é esperar chegar o aparelho e também uma nova tecnologia que faça tudo parecer velho novamente. 
Nova, velha, preto e branco, azulada, com LED, plasma, LCD, como bem personificou Ignácio de Loyola Brandão, não importa a forma, ela é uma Deusa dos raios azulados...

2 Comentários:

Calu Baroncelli disse...

E a deusa dos raios azulados sabe bem como hipnotizar as pessoas, transformá-las em zumbis, em servos escravos facilmente dominados. A bela deusa cada vez mais seduz com sua evolução. Infelizmente nos últimos tempos não evoluimos mentalmente ao ponto de termos a clara certeza de que somos somente um títere em suas mãos. Mas a culpa não é da deusa; culpa de quem a coloca no altar máximo do processo comunicativo civilizatório. Sendo assim, a deusa é tão manipuladora quanto manipulada. Somente assim ela resiste.
Findadas as críticas, cons e destrutivas, lembro-me bem de um aparelho Philips 20 e algumas polegadas com caixa de madeira e botões que tínhamos em casa, anos 80, infância minha. Meu pai vaticinou: o botão do canal 4 foi arrancado do aparelho. Era proibido, em nossa casa,assistirmos ao SBT, na época, TVS... tudo isso por causa do maldito Bozo e dos programas do Silvio Santos.
Somente quando este aparelho morreu que fui me dar conta do que era o Chaves.

E não, não precisei de terapia. Há muitos momentos em que agradeço aos meus pais.

Hoje, depois de desenvolver largo ceticismo, me distanciei da deusa, porque nos últimos tempos seus raios azulados tem me mostrado uma inversão: nem tudo que se vê é para crer.

Um beijo, querido.

Antenor Thomé disse...

haha Adorei.. Tinha certeza que você iria escrever...

Bjos Calu!!

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