quarta-feira, 16 de novembro de 2011

A ARTE DA ENTREVISTA

O título deste post também é um título de um livro que eu recomendo porém não se trata do livro o que vou escrever adiante. Nessa madrugada o jornalista Pedro Bial assumiu durante um bloco a bancada do Programa do Jô e entrevistou o próprio para a divulgação do livro recém lançado "As Esganadas"
Visivelmente nervoso, Bial estava atrapalhado, não sabia como agir, onde colocar as mãos que tremiam muito, mexeu nos papéis inúmeras vezes, se viu preso a um roteiro pré-estabelecido e por diversas vezes se mostrou perdido. O Pedro Bial é um dos jornalistas que mais respeito (apesar do Big Brother) tem um texto incrível, faz reportagens e entrevistas maravilhosas, mas não estava no "seu" território. 
A entrevista no programa foi uma aula para os estudantes de jornalismo. Mostra o quanto a entrevista é um momento importante e pode ser cruel até com os mais experientes. Colocaram o jornalista numa situação muito complicada que é entrevistar um entrevistador em um programa que não é dele. A entrevista foi ruim. Seria com qualquer jornalista que estivesse ali. 
Entrevistar é uma arte. É o momento onde o jornalista está diante da sua fonte e tem que saber retirar dela a informação que ela possui. Existem técnicas, existem formas de abordagem e existe também talento. Conheço muitos jornalistas que escrevem bem, tem inúmeras virtudes mas que diante de um entrevistado trava e não consegue atingir o objetivo. Vale lembrar que o Bial é muito competente em tudo que faz, inclusive entrevistas. Não estou falando dele neste parágrafo.
Um dos programas que mais gostei de fazer nesses quase 12 anos de carreira foi o "Vozes". Era exibido no Canal Universitário e seguia uma linha muito parecida com o "Ensaio" da TV Cultura. O Entrevistado ficava em um estúdio completamente escuro sentado em uma cadeira discreta, apenas um foco de luz demarcava a pessoa, como uma obra de arte em exposição. Três câmeras posicionadas: uma geral que pegava o corpo inteiro, outra mais fechada e uma terceira móvel que pegava detalhes. As duas primeiras câmeras ficavam travadas, sem operador. Sentado diante do entrevistado, mas fora de quadro, com um monitor diante de mim vendo os cortes realizados no switcher, eu ficava com meu roteiro devidamente estudado e pesquisado com muito cuidado por mim e pela produtora do programa. 
A entrevista tinha em média 50 minutos de arte e me consumia por inteiro. Alguns entrevistados eram mais fáceis de "jogar", já que a entrevista é como um jogo. Se você coloca bem a pergunta, no momento adequado a resposta vem da mesma forma. Outros entrevistados são mais fechados, gostam de dificultar e te colocam em armadilhas, te testam, te fazem transpirar (o que é muito legal também). 
É sempre muito bom entrevistar, mesmo quando nos colocam em algumas roubadas como fizeram com o Pedro Bial. 

2 Comentários:

CONCEIÇÃO DUARTE disse...

Antenor, você tem toda razão. Bial tinha nitidamente tudo pre estabelecido e portanto a entrevista perdeu a graça. Também gosto do Bial, tirante ou apesar de Big Brother, mas é a escolha de cada um. De alguma forma deve interessar a ele fazer aquilo que é a meu ver, pavoroso! Voltando ao Jô, faltou mesmo perguntas interessantes que gostaríamos talvez de saber. Não concordo também em o Jô ser entrevistado em seu próprio programa. A Globo tem muitos meios para fazer isso, fora do programa dele. De qualquer maneira, me dá mesmo a certeza de que tudo alí, virou um ninho de mafagafos, onde todos são mafagafinhos, mafagafandos e mamando nas tetas da mãe GLOBO, que perdeu o respeito de seus filhos. Parabéns pelo seu texto.
Beijo, Conceição

CONCEIÇÃO DUARTE disse...

...continuando com o assunto Jô e Tv Globo. Vejo também que a empresa que é maravilhosa como qualidade de imagem e tanto mais, não deveria permitir que o apresentador do programa usasse ele para durante um mês ou e toda noite, falar de sua peça de teatro, falar de seu livro e elevar a todo instante o seu trabalho fora daquele propósito que é no caso do Jô, o do entrevistar pessoas, coisa que digamos de passagem, nem sempre ele consegue fazer, embora seja um cara cheio de valores. Bj, Conceição

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