segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

OS BAILINHOS DA MINHA ADOLESCÊNCIA


Fim de tarde, eu e um amigo da família começamos a preparar o salão. A churrasqueira do sítio em alguns finais de semana era o ponto de encontro da galera para uma espécie de baile. Improvisamos luzes coloridas de Natal, colocamos o aparelho de som antigo, com toca discos e caixas de som potentes, preparamos a mesa com refrigerantes (não tinha álcool já que grande parte tinha entre 13 e 16 anos).
A noite caía e o pessoal ia chegando, as meninas ficavam de um lado conversando. Nós meninos de outro falando alguma bobagem sobre futebol e já sondando quem ia chamar quem pra dançar. A música começava a rolar e ainda de forma tímida uns e outros se arriscavam a dançar os ritmos da época.
Em determinado momento, previamente avisado aos meninos por um sinal feito pelo meu amigo do som, a música agitada e dançante era trocada por algum hit romântico norte-americano. Tensão entre as meninas, tensão entre os meninos. Os menos tímidos corriam e já chamavam as meninas mais velhas e bonitas. para os tímidos e mais feios sobravam as meninas tímidas e mais feias.
Mas sempre achamos um jeito de trocar de parceira durante as musicas que seguiam. Claro que tinha malícia, claro que passavam mil absurdos pela cabeça de todo mundo. Afinal estávamos no período de descoberta sexual, de efervescência dos hormônios. Mesmo assim havia um clima de respeito no ar, antes de tudo éramos amigos.
A música lenta tocava o quanto fosse necessário para que todos pudessem conseguir algo ou ver que o mar não estava para peixe. De repente a batida ficava mais forte, as luzes piscavam mais intensamente e tudo voltava ao "normal".
Os tempos mudam, hoje, como escrevi no post anterior, tudo está mais "fácil, mais visível... Naqueles bailes não tinham micro vestidos, não tinha bunda quase que de fora, não tinha peitos pulando de decotes... O gostoso era a troca de olhares, era a descoberta, a imaginação... 
Por coincidência hoje é o dia da saudade. Não é que me bateu uma saudade enorme dessa época.

1 Comentário:

Anônimo disse...

Nós estamos ficando velhos rsrsrs...na época dos bailinhos, das baladas oitentonas, dos papéis de carta, dos discos e fitas, do amor platônico, da meiguice de um sorriso...hoje em dia não há mais a possibilidade de exercitar a imaginação nem de trocar olhares...é tudo puramente erótico e explícito...

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