sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

PAIXÃO NO PONTO

O sol queimava forte no começo da tarde. Rotina alterada para tentar não me atrasar ainda mais fui para o ponto de ônibus próximo a minha casa. Havia apenas uma senhora que suava bastante e estava irritada com o atraso da condução. 
Poucos números descendo a rua do local onde eu estava, de um prédio espelhado que refletia o brilho do sol, saíram duas, três, sete, nove, na verdade doze modelos. Confesso que achei que os efeitos do calor já estavam começando a aparecer. Loiras, morenas, negras, orientais, mais altas, mais baixas, lindas...
Eu fiquei lá secando ainda mais as moças que já estavam irritadas com o forno natural. Cada uma seguiu o seu caminho, menos uma que ficou ali no ponto. Cabelos longos, ondulados, com volume, negros. Alta, 1.80, corpo bem desenhado, com curvas, seios firmes, coxas bem torneadas, pernas longas, pés bonitos, bem tratados, unhas pintadas, salto alto. Elegante, um pouco metida, nenhum sorriso nos lábios finos e sem batom. Do rosto era a única coisa possível de ver, o resto ficou escondido pelos grandes óculos escuros.  
A camisa social preta começou a incomodar, ela desabotoou mais um botão, as pernas começavam a bronzear já que vestia um shorts curto da moda. A bolsa pesada pendurada no antebraço parecia atrapalhar. 
Nada do ônibus passar, nem o meu, nem o dela. Estava gostado daquele atraso até que a doce voz se aproximou e balbuciou algumas palavras. Arranquei o fone que estava alto com o som do U2. Fiz uma cara de que não tinha entendido. Ela repetiu.
Queria verificar se a condução passava ali mesmo. Já fazia mais de 10 minutos que fritávamos no asfalto. Ela se irritou, caminhou cerca de 15 metros até a porta de um salão de beleza. Olhou pelo vidro, sacudiu o cabelo, tirou rapidamente os óculos, colocou, retocou a maquiagem e voltou desfilando pelo meio fio. A cena passou em slowmotion diante de mim.  
Ela ficou ao meu lado, reclamou sobre a demora. De forma tímida elogiei o desfile que ela tinha acabado de proporcionar ali diante de mim. Ela sorriu levemente e ficou vermelha. Trocamos algumas informações como nomes e tal até que o demorado ônibus resolveu apressar o momento. 
Chegou, parou, fez aquele barulho e abriu a porta. O motorista olhou para nós dois. A senhora subiu reclamando e a moça foi logo na sequência. Aquele não era o meu, mas deu vontade de embarcar sem saber em qual ponto descer.
Fiquei, o juízo e o atraso me segurou por lá. Dá janela a moça olhou tímida, tirou os óculos, mandou um beijo e um aceno de miss. Eu repeti o gesto e ela partiu. Antes mesmo de virar a esquina o meu veículo chegou e a vida seguiu seu caminho. 

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