sexta-feira, 13 de julho de 2012

O PSICÓLOGO DO PSICÓLOGO

Ele abre sua clínica todos os dias. Logo cedo está a disposição para atender seus pacientes. Com tranquilidade deixa a porta aberta e espera a chagada de cada um deles. Ele gosta de fazer isso, mesmo sem entender como tudo começou.
Tem aqueles pacientes que frequentam diariamente, se deitam no divã e por lá ficam horas e horas. Outros passam rapidamente e esporadicamente. Alguns uma única vez, outros agendam visitas espaçadas de tempo em tempo. É reconhecido por todos como tendo conselhos certeiros.
Uma rotina com a qual ele foi se acostumando. Um problema aqui, uma chateação acolá, um conselho bom, uma bronca pra alertar... Assim ele vai passando e conhecendo histórias, se espanta com alguns fatos, se diverte com outros. Tenta ponderar entre a razão e a emoção.
Enquanto o paciente está deitado no divã falando ele, sentado em sua confortável cadeira, observa os gestos, as reações e aos poucos vai entrando na história, na vida, nos problemas e aflições que atingem o próximo. 
Termina mais um dia, ele fecha seu consultório e volta pra casa vazia. Deita no seu próprio divã, olha para um lado, olha para o outro e começa a falar consigo mesmo. O vazio não ajuda muito, por isso vai se debruçar em alguma coisa. Escreve, escreve bastante, uma forma de conversar mentalmente com a folha em branco, mesmo que ela esteja presa dentro de uma tela. Depois de escrever vai em busca de outro conselheiro: o chuveiro.
O som das gotas violentas explodindo nos azulejos é interrompido por uma barreira. O corpo nú que se deixa agredir pela água quase fervendo e forte que saí da ducha. Esse momento é como se entrasse em outro universo. Sonha, fala, canta, viaja nas coisas do dia, imagina situações, muitas vezes nem tem vontade de sair debaixo daquela cachoeira artificial de ilusões. 
Ele sai mais animado, mais leve, porem com suas preocupações, com suas agonias, com seus sentimentos variados ainda agitados. Não resta outra coisa se não calar essas vozes com o travesseiro, quase que sufocando todas elas. O sono vem e ele descansa. No dia seguinte ele sabe que tem que estar novo e de pé para abrir a porta do consultório novamente. 

1 Comentário:

Danny disse...

Na verdade, o que eu conheço de psico que via no psico!!! é difícil achar os que não vão, sério.
Acho que é uma profissão mto procurada por aqueles que querem se entender e tentam se ajudar também!

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