terça-feira, 9 de julho de 2013

UMA ENTREVISTA DIFÍCIL

Fiz uma palestra no final do ano passado e uma das pessoas que estava no auditório me mandou um e-mail hoje, tanto tempo depois. Um e-mail muito simpático e entre tantas coisas me pediu uma coisa: contar algumas experiências que tive (curiosas, engraçadas, dramáticas) que tive durante toda essa minha jornada de repórter. 

Algumas coisas já contei aqui, mas ela me fez buscar na memória muitos momentos e pelo menos uma vez por semana vou contar aqui. 

Uma das primeiras coisas que vieram na minha memória foi uma das entrevistas mais difíceis que realizei. Difícil por vários motivos, ela foi desafiadora, foi tensa, foi complexa e que até hoje lembro do quanto transpirei.

Fazíamos um programa no Cana Universitário chamado "Vozes". Um formato bem parecido com o programa "Ensaio" da TV Cultura. Cenário todo negro, a luz só no entrevistado que ficava sozinho em cena. Eram 3 câmeras, uma na geral, outras duas fazendo detalhes. O programa tinha 1 hora de duração, mais ou menos uns 50 minutos de arte. 

Recebíamos grandes nomes da música, televisão, política, teatro... Um belo dia a produção me avisou, vamos entrevistar o diretor teatral Antunes Filho. Sabia quem ele era, mas não tinha informações aprofundadas. Fui pesquisar, a produção colaborou também e logo percebemos que ele era um daqueles entrevistados complexos. 

O programa era um retrato da biografia da pessoa, falávamos da infância, vida pessoal e claro da produção atual do entrevistado. Quando ele topou gravar achamos um pouco estranho, já que ele é meio avesso as entrevistas. Porém ele veio, e lá estava ele na redação.

Ele entrou e fui apresentado a ele. Eu fazia as entrevistas, ficava dentro do estúdio comandando o papo.  Conversamos rapidamente e comecei a explicar novamente como funcionava o programa. De imediato ele me disse: "não vou falar sobre minha vida, apenas vou falar da minha peça recente". Gelei na hora. Olhei para a produtora. Chamei ela de canto e ficamos lá meio sem saber o que fazer. 

Fomos para o estúdio e fiquei tentando criar alguma estratégia na minha cabeça para conseguir falar sobre o que planejamos e também não desagradar o convidado. 

Entramos no estúdio e foi a 1 hora que mais demorou pra passar na minha vida. Por mais perguntas que eu fizesse ela era muito objetivo (o que não é um defeito, mas para o programa acabava sendo ruim), até que encontrei um ponto sobre uma das peças dele que então ele começou a falar. Me senti seguro para no meio soltar algo mais pessoal. Ele fez cara feia mas respondeu, então respondeu outra, até que conseguimos fechar o tempo do programa e ainda falar sobre mais coisas do que ele planejava. 

Não foi fácil... Valeu a pena a experiência e ter entrevistado esse grande nome do teatro brasileiro. 

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