quinta-feira, 1 de maio de 2014

20 ANOS DEPOIS...

Sábado pela manhã do último dia de abril de 1994. Como sempre fazia em finais de semana levantei cedo para acompanhar o treino de classificação da Fórmula 1. O esporte havia virado um vício desde que eu me entendia por gente. Tinha 11 anos na época. 
Voltando no tempo me lembro porque gostava tanto daquele esporte. Não lembro quando comecei a assistir Fórmula 1, mas me lembro de muitas corridas. Uma em especial acho que fisgou minha atenção, principalmente porque não consegui assistir direito. GP de Mônaco de F1 em 1993. Senna tinha um carro inferior as super Williams de suspensão ativa e ajudas eletrônicas aos pilotos. Eu estava em Casa Branca no interior de SP num churrasco na casa de pessoas que não conhecia. Em determinado momento todos estavam diante da TV acompanhando as últimas voltas emocionantes que eu tentava espiar entre um vão e outro. Soube que Ayrton venceu pelos gritos eufóricos da todos. Esse dia meu coração pulava de alegria sem ao menos ter visto os detalhes do feito. 
Sábado pela manhã do último dia de abril de 1994. Um choque diante da TV no meu quarto no sítio em Itupeva. Ratzenberg batia forte no muro e a cena do carro deslizando pela pista com parte do braço exposto na carenagem me deixou sem palavras. Horas depois o anuncio da morte do piloto da Simtek. Não sei o motivo mas estava tenso naquele final de semana. Lembro de ter conversado com o pessoal sobre isso, mas a maioria do pessoal da minha idade preferia falar de futebol e jogar no campinho que tínhamos por lá. 
Domingo, 1 de maio de 1994. Logo cedo pulei da cama, fui até a cozinha, minha mãe preparou um café com pão. Como Senna tinha começado mal o ano, ninguém levantou para ver a largada. Apenas um sócio do meu pai tinha me pedido pra acorda-lo assim que a transmissão fosse começar. Bati na porta mas ele preferiu a cama. 
Estava no sofá, sozinho, TV em volume meio baixo até que uma frase ecoou. "Senna bateu forte". Galvão falou e depois silenciou. Dei um pulo. Que puta porrada. Meu instinto jornalístico já corria forte na veia. Se pudesse teria ido até o hospital de Bolonha. O máximo que poderia fazer era noticiar para os que estavam perto de mim. Corri num quarto, bati na porta e disse: "Senna sofreu um acidente bem feio". Fui em outro quarto e repeti o anuncio da batida. 
Lembro que ouvi uma voz de algum dos quartos dizendo: "Ah batidas acontecem sempre, me avisa depois quem ganhou a corrida". 
Voltei para diante da TV sozinho. Fiquei lá vendo aquela agonia, acompanhando aqueles momentos todos. Aos poucos o pessoal foi acordando e se juntando a mim, as caras foram ficando mais tensas, os mais velhos foram ficando preocupados e só ouvia prognósticos graves. 
Eis então que Cabrini confirma aquilo que eu já imaginava "Morreu Ayrton Senna da Silva". Que facada no peito. Que tristeza. Os dias que se passaram foram de um pesar, de uma carga densa que nem sei explicar. 
Esse final de semana é um dos que me recordo de todos os detalhes, do cheiro, dos gostos, das sensações... 20 anos depois tudo se parece como ontem. Senna sempre será um grande ídolo pra mim. Sou um cara de sorte por ter conseguido muitos anos depois ter entrevistado a irmã dele, Viviane, aqui para o blog mesmo e também ter convivido de forma muito próxima (até hoje) com uma figura presente em toda carreira do tri-campeão na F1, o prof. Nuno Cobra. É tão bom as vezes ouvir algumas histórias. 
A morte de Senna não me afastou da F1, aliás acho que ela me aproximou muito. Sigo de perto tudo que acontece. Vejo as corridas todas e acho que é uma forma de me sentir perto daquele amigo que todos nós tínhamos e sempre nos visitava pelos domingos...

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